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Saúde Intestinal 09-jun-2016

Saúde Intestinal

Trilhões de bactérias habitam nosso intestino e vivem em simbiose entre si. Nos últimos anos o mundo tem voltado a atenção para a saúde intestinal como sendo a chave para a qualidade de vida, prevenção e tratamento dos mais variados tipos de doenças metabólicas sistêmicas (diabetes, hipertensão, doença cardiovascular, etc).

A crescente industrialização da alimentação e a necessidade do aumento da vida de prateleira dos alimentos tem nos levado ao aumento do consumo de aditivos químicos (corantes, conservantes, adoçantes, etc) e à redução do consumo de fibras e compostos antioxidantes. Tudo isso tem um impacto avassalador em nossa microbiota intestinal gerando um processo chamado de disbiose.

A Disbiose é o desequilibrio qualitativo e quantitativo da nossa flora bacteriana intestinal, favorecendo o supercrescimento de bactérias gram negativas (maleficas) e redução das gram positivas (beneficas). Já sabe-se que este quadro estabelecido induz a inflamação não só intestinal como também sistêmica podendo levar a um quadro de resistência à insulina (descontrole da glicemia). Além disso, ultimos estudos relacionados à Síndrome do Intestino Irritável já abordam o tratamento a partir da disbiose intestinal.

Também, um quadro de disbiose pode levar a um aumento da permeabilidade intestinal (abertura dos espaços entre as celulas intestinais) piorando ainda mais o quadro da inflamação, favorecendo a absorção indesejada de compostos químicos,  podendo até levar a um quadro de esteatose hepática e tireoidite cronica.

As Fibras:

Durante a fermentação das fibras a microbiota intestinal produz Acidos Graxos de Cadeia Curta (AGCC) - Acetato, Propionato e Butirato, que são reabsorvidos e desempenham um importante papel anti-inflamatorio tanto intestinal como sistêmico.

Estudos já relacionam a importância do acetato e butirato produzidos pelas bactérias intestinais na redução da permeabilidade intestinal, que foi citada acima. O butirato também tem sido relacionado à redução da formação de tumor no intestino grosso e também a um melhor controle glicêmico em pacientes diabéticos por estimular a produção de GLP-1 e Leptina.

Por fim, sabe-se hoje que a importância da microbiota não abrange somente a regulação do metabolismo e imunidade do hospedeiro, mas também as funções do Sistema Nervoso Central (SNC). Já temos evidências que através da microbiota modulamos as neurotrofinas - proteínas que induzem a proteção e crescimento dos nossos neurônios. Hoje ainda no início, mas num futuro próximo trataremos as doenças do SNC (depresão, ansiedade, panico, esquizofrenia, etc) tratando também a disbiose intestinal.

 

Referencias:

Dietary metabolites and the gut microbiota:an alternative approach to control inflammatory and autoimmune diseases. Clinical & Translational Immunology (2016) 5,e82;doi:10.1038/cti.2016.29

From gut dysbiosis to altered brain function and mental illness:mechanisms and pathways. Molecular Psychiatry (2016) 21, 738748

The adaptive immune system with commensal gut bacteria protects against insulin resistance and dysglycemia. MOLECULAR METABOLISM 5 (2016) 392e403

From IBS to DBS: The Dysbiotic Bowel Syndrome. Journal of Investigative Medicine High Impact Case Reports April-June 2016: 13

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